ByteBites – Mindhunter

Sempre me interessei por serial killers. De vez em quando, as pessoas ao meu redor tendem a achar que  sou meio psicopata, mas em minha defesa acho extremamente curioso tentar entender o que leva um indivíduo a matar outro, muitas vezes a sangue frio. Quando vi o livro Mindhunter na estante não consegui me controlar, simplesmente comprei. O livro é escrito pelo ex-agente do FBI John Douglas e o roteirista, diretor e produtor Mark Olshaker.

Não é uma história em si. O autor, John Douglas, foi o fundador e chefe da Unidade de Apoio Investigativo do FBI, criada em 1980.  Ele foi responsável por desenvolver e fortalecer a análise de perfis dentro do FBI e esse método facilitou a captura de diversos serial killers e assassinos em diversas partes dos Estados Unidos. O livro é um relato do agente dos casos em que ele operou , com a análise de perfis dos criminosos em cada um dos casos.

John Douglas

É bom deixar claro que o livro é bem pesado e mesmo não possuindo fotos dos casos, o autor descreve detalhadamente o estado dos corpos. A partir das cenas dos crimes, os analistas de perfis conseguem traçar características físicas, modo de vida, sua infância e até mesmo,em alguns dos casos, a cor do carro que ele utiliza. Os vários assassinos apresentados ao longo das 384 são os mais variados: os mais inteligentes, os com inteligência abaixo da média, aqueles que são simplesmente sádicos, até aqueles que são pessoas cativantes.

Uma das figuras mais intrigantes do livro é o serial killer Ed Kemper. John Douglas salienta o fato de além de uma pessoa com QI acima da média, Kemper era uma pessoa muito agradável de se conversar. Isso é um grande contraste se compararmos com a brutalidade dos seus crimes. Kemper, assim como a maioria dos serial killers descritos no livro, possui fatores que explicariam suas atitudes: uma infância difícil, uma mãe abusiva, pai ausente, entre outros. Todavia, é importante salientar que esses indivíduos, na sua grande maioria, tinham plena consciência de suas atitudes e sabiam diferenciar o certo do errado.

Mindhunter é uma obra muito mais focada em entender como funciona a mente de um serial killer e a maneira como eles operam. A equipe de Douglas foi a responsável por criar a terminologia “serial killer” e ao longo do livro, o autor explica o conceito de termos como “organizado” e “desorganizado”. Neste caso “organizado” é assassino que deixa a cena do crime com poucas evidências, enquanto o “desorganizado” a deixa bagunçada. Essas duas terminologias não somente aplicadas a cenas de crimes, mas também a personalidade dos indivíduos. Todavia, para saber mais você terá que ler o livro.

Em várias passagens, o autor relata o processo de criação da Unidade de Apoio Investigativo e como que, logo no  início, ela sofreu um “´preconceito” por parecer um tipo de bruxaria. Ao terminar de ler o livro eu tive vontade de me tornar uma agente do FBI e  fazer análise de perfis. Mindhunter é o típico livro que prende do inicio ao fim, mas perturba por todos os crimes lá descrito serem verídicos.  A obra não é capaz de responder com precisão se “existem pessoas más”, pelos simples fato de que nem um profissional da competência de John Douglas tem uma resposta para isso.

Editora: Intrínseca

Preço: R$39,90

Páginas: 384

Gênero: Não Ficção

vitoriamollerke@gmail.com'

Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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