Arquivos B – Agatha Christie

Assassinato no Expresso Oriente,  Morte no Nilo e  Os Crimes ABC, você com toda certeza já deve ouvido falar desses títulos, ou melhor ainda, lido algum deles. Esses livros são da “Rainha do Crime”, mais conhecida como Agatha Christie. A escritora inglesa é responsável por escrever histórias que já foram traduzidas para 45 línguas, seus livros estão constantemente na lista dos mais vendidos do mundo.

Agatha May Clarissa Milleri nasceu no dia 15 de setembro de 1890, na cidade inglesa de Torquay. Sua irmã mais velha, Madge, contava para Agatha histórias de Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle, ou seja, a escritora cresceu ouvindo histórias de terror, crimes, detetives e mistérios. Além disso, sua mãe a incentivou a escrever contos, em um dia que a pequena Agatha ficou doente. Sem saber, a mãe e irmã estavam empurrando a pequena Agatha para um futuro de brilhantismo.

 Agatha admitiu, quando já era famosa, que suas primeiras histórias eram trágicas e com personagens que morriam no final. O sobrenome “Christie” seria herdado em 1914, quando casou com o Coronel Archibald Christie (carinhosamente chamado de Achie pela escritora), que era piloto do Corpo Real de Aviadores.

O casal que deu a volta ao mundo, teve uma filha chamada de Rosalind. Todavia, a vida não é um conto de fadas e nem mesmo as praias de Honolulu (Agatha chegou a surfar na capital do Havaí) conseguiram salvar o casamento do casal. Em 1928 eles acabaram se divorciando.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Agatha trabalhou como enfermeira, mas acabou sendo transferida para o dispensário. Lá a autora tinha muito tempo vago e, foi nesse período que nasceu um dos personagens mais marcantes da literatura mundial: o detetive belga Hercule Poirot. O seu primeiro livro foi O Misterioso Caso de Styles. Na sua autobiografia, Agatha conta sobre esse período:

“Foi quando trabalhava no dispensário que concebi a ideia de escrever uma história policial. Essa ideia permanecia em minha mente desde o tempo em que Madge me desafiara a escrevê-la – e meu atual trabalho parecia oferecer a oportunidade favorável. Ao contrário da enfermagem, onde sempre havia o que fazer, o serviço do dispensário tinha períodos muito atarefados e outros mais frouxos. Às vezes eu ficava de serviço só a parte da tarde, praticamente sentada o tempo todo. Depois de verificar que os frascos de remédios estavam cheios e em ordem, tinha liberdade para fazer o que quisesse, desde que não abandonasse o dispensário. Comecei a considerar que espécie de história policial poderia escrever. Visto que estava rodeada de venenos, talvez fosse natural que selecionasse a morte por envenenamento. Congeminei um enredo que me parecia ter possibilidades. Essa ideia permaneceu na minha mente, gostei dela e, finalmente, aceitei-a. Depois tratei da dramatis personae. Como? Por quê? E tudo mais. Teria que ser um envenenamento íntimo, devido à maneira especial como seria acometido o crime; teria que passar-se em família, ouso dizer assim. Naturalmente, teria que aparecer um detetive. Nessa altura, achava-me mergulhada na tradição de Sherlock Holmes. Por isso pensei logo em detetives. Não poderia ser como Sherlock Holmes, é claro: teria que inventar algo diferente, bem meu, mas também ele teria que ter um amigo íntimo, uma espécie de ator contracenante – não seria tão difícil assim! Retornei a meus pensamentos a respeito dos outros caracteres. Quem seria assassinado? (…) O verdadeiro objetivo de uma boa história policial é que o assassino seja alguém óbvio e que, ao mesmo tempo, por certas razões, descubramos que não é óbvio, e que, afinal, possivelmente não fora essa pessoa que cometera o crime.”

Depois disso, a imaginação de Christie nunca mais parou. Ela escrevia praticamente um livro por ano e em 1926 O assassinato de Roger Ackroyd foi lançado. Este livro foi primeiro a ganhar uma adaptação: a peça Álibi foi baseada na obra da escritora. Além do sucesso na carreira, Agatha tinha sucesso na vida amorosa: em 1930 casou-se com o arqueólogo, 14 anos mais novo,Sir Max Mallowan. O casal viajou para o oriente médio e lá a escritora acabou encantando-se pelo Egito,  inspirando-se no país para escrever mais histórias, como o livro  Morte no Nilo.

Em 1971, ela recebeu o título de Dama da Ordem do Império Britânico. Infelizmente, cinco anos depois Agatha Christie morreu aos 85 anos, de causas naturais. Além de todas as obras em vida, Agatha  deixou outras prontas e que foram publicadas após a sua morte (Um crime adormecido, sua autobiografia e várias pequenas histórias: como Os casos finais de Miss Marple, Enquanto houver luz e Problem at Pollensa).

Sessenta e seis novelas policiais, 163 histórias curtas, duas autobiografias, vários poemas e seis romances “não crime” assinados com o pseudônimo de Marry  Westmacott foram o legado de Agatha Christie. Uma autora que sempre deve ser colocada no mesmo patamar de Arthur Conan Doyle. Ambos criaram detetives marcantes e revolucionam a maneira de contar histórias policiais.

vitoriamollerke@gmail.com'

Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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