Investigação B – O Massacre do Carandiru

O quadro “Investigaão B” já falou de serial killers, homicídios e desaparecimentos, mas todos os casos aqui citados ocorreram fora do território brasileiro. Um dos casos mais polêmicos e violentos, ocorridos em nosso país, foi o massacre do presídio de Carandiru que matou 111 detentos (número oficial, mas os presos afirmam que foram mais de 200).

Tudo começou na manhã do dia 2 de outubro de 1992, durante uma partida de futebol na quadra interna do pavilhão 9. Os detentos Antônio Luís do Nascimento (Barba) e Luís Tavares de Azevedo (Coelho) começaram uma discussão e isso foi o estopim para que os demais presos se dividissem em duas facções rivais, espalhando o tumulto por todo o presídio.

Começa então a rebelião.

Às duas horas da tarde os carcereiros abandonam o local.  Os presos colocam fogo nos colchões e montam barrigadas para impedir a entrada no pavilhão, mas não fazem nenhum tipo de reivindicação. Com a situação fora de controle, o diretor do Carandiru pede reforços para a Polícia Militar.

Oficiais da  Rota, Gate, Choque, Cavalaria e Corpo de Bombeiros estacionam fora do “Pavilhão 9”, contabilizando cerca de 300 policiais (a maioria sem crachá de identificação). O número é da Promotoria, todavia na versão do o coronel Ubiratan somente 86 invadiram o presídio.

O Diretor do Presídio, Ismael Pedrosa, tenta negociar uma rendição, mas é ignorado pelos detentos. Esse fato também é contestado: ex-detentos e grupos de defensores dos direitos humanos alegam que houve uma sinalização de rendição antes da polícia entrar.

Às quatro e meia a tropa invade o presídio sob a liderança do coronel Ubiratan. Os policiais conseguem facilmente tomar o andar térreo do Carandiru, mas o coronel acaba sendo ferido por uma explosão, sendo removido da operação. O capitão Wilton Brandão Filho assume o comando da operação.

Ao subirem para o primeiro piso, os policiais encontram mais uma barrigada e um preso morto pendurado de cabeça para baixo. Somente nesse andar um total de 30 presos foram mortos.

Mais uma vez a história é bifurcada: segundo versão da polícia muitos presos estavam de tocaia e atacaram usando estiletes sujos de sangue contaminado, sacos cheios de fezes e urina, e tiros.  Na versão dos detentos, os presos já estavam rendidos e dentro de suas celas desarmados. Além disso, a perícia concluiu que 70% dos tiros foram dirigidos à cabeça e ao tórax, sustentando a teoria de extermínio. Muitos presos  misturaram-se aos corpos para escapar da morte.

Os detentos sobreviventes foram retirados de suas celas, nus e descalços. Depois, ajudaram os policiais, carregando os mortos para o primeiro andar. Neste processo, segundo os defensores dos direitos humanos, muitos presos foram executados. A remoção dos corpos acabou modificando todo o ambiente e dificultou o trabalho da perícia.

Fonte: Arquivo O Globo

Por fim, os presos foram colocados na quadra externa, onde foi feita a contagem e a revista. Oito feridos foram encaminhados para o hospital, mas acabaram morrendo no caminho. No total 111  presos foram mortos e 130 feridos. Entre os policiais  houve 23 feridos.

Cento e vinte policiais foram indiciados, mas somente 86  julgados. Desses, só o coronel Ubiratan foi condenado. O Massacre do Carandiru rendeu 515 tiros disparados. Em 2002, o Carandiru foi implodido e em seu lugar foi erguido o Parque da Juventude e a Biblioteca de São Paulo.

vitoriamollerke@gmail.com'

Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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