ByteBites – O Justiceiro

O Justiceiro estreou na mesma época em que ocorriam os cancelamentos das séries da parceria entre Netflix e Marvel. Assim como Jessica Jones, seu futuro é incerto, já que é praticamente impossível que ambos os programas sejam renovados para uma nova temporada. Por mais que fosse esperada a mesma qualidade e complexidade de elaboração do primeiro ano, a nova temporada de O Justiceiro deixou a desejar na sua continuação, pois apresentou uma história enrolada e fraca com um desenvolvimento de trama extremamente lento. Isso pode influenciar no desfecho do que ocorrerá com a série, da mesma forma que ocorreu com Demolidor.

A série começa com Frank Castle (Jon Bernthal) com uma nova identidade e fora de Nova Iorque. Após uma série de eventos, ele se torna responsável pela jovem Amy (Giorgia Whigham), sendo obrigado a retornar para a cidade onde tinha deixado o manto de Justiceiro. Em paralelo, temos a recuperação do antagonista Billy Russo (Ben Barners) que foi, drasticamente, afetado na briga com Castle e com a agente Dinah Madani (Amber Rose Revah).

O ápice dessa nova temporada está no grau de complexidade que os personagens atingem em consequência dos eventos que encerraram o primeiro ano  da série. Isso influenciou o comportamento dos protagonistas de forma completamente diferente: a agente Madani vive em um constante conflito entre uma vingança pessoal e o dever que tem com a justiça; Frank Castle tenta construir uma vida nova, todavia seu passado é um empecilho para essa mudança; por fim, Billy Russo que após o acidente vive assombrado por uma crise de identidade.

Um fator que contribui para personagens tão bem construídos está no nível de atuação dos atores. Logo no início da série, já era perceptível o quão incrível estava Jon Bernthal, como Justiceiro, considerando não só sua caracterização, mas também sua excelente atuação. Todavia, no segundo ano da série, quem teve o maior destaque foi Ben Barners, como Billy Russo, que através de sua insanidade e confusão transmite um sentimento angustiante para o telespectador.

Entretanto, o enredo da história fez com que a qualidade da trama decaísse, drasticamente, em relação à primeira temporada. Na metade dos 13 episódios que compõem a série, os mistérios já tinham sido revelados, assim como a conspiração que ocorre na trama. O resultado disso, são muitos episódios enrolados para, finalmente, chegar a um final totalmente previsível e sem nenhuma surpresa.

O uso de cenas extremamente violentas já estava presente desde o início da série. Todavia, nesta nova temporada, a impressão é que isso foi utilizado como técnica para cobrir a trama debilitada. Por mais que não exista Justiceiro sem violência, em diversos momentos isso se mostrou um exagero, não contribuindo em nada para a cena em que ocorria.

Infelizmente, as grandes atuações da série não conseguiram sustentar a trama precária. A história enrolada compromete o desempenho do segundo ano de O Justiceiro, sendo um dos possíveis motivadores para o cancelamento da série, fato extremamente triste, tendo em vista que é um universo muito rico.

Selo Byte de qualidade:

vitoriamollerke@gmail.com'

Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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