ByteBites – Black Mirror

A série Black Mirror estreou em 2011 e, atrelada a ela, surgiu a expressão “isso é muito Black Mirror” (frase utilizada quando uma situação ou tecnologia remetem ao contexto “apocalíptico” apresentado na trama), entretanto os novos episódios destruíram o universo construído ao longo dos anos com histórias rasas, entediantes e com finais simplórios. Além disso, ao analisarmos a série como um todo, a maior parte dos episódios trata a tecnologia de maneira diabólica, com raras exceções como o belíssimo San Junipero. Todavia, a nova temporada romantiza a tecnologia de maneira escrachada e simplória fugindo do padrão de qualidade da narrativa.

 

STRIKING VIPERS

O episódio que abre a temporada conta a história de Danny (Anthony Mackie) que recebe de presente do antigo amigo de faculdade, Karl (Yahya Abdul-Mateen II), uma cópia de um jogo, totalmente em realidade virtual, chamado Striking Vipers. No game, os amigos assumem os corpos dos seus avatares, em consequência disso a beijam-se, desencadeando todos os eventos do episódio. O enredo aborda temas, como amizade e sexualidade, com a tecnologia servindo de ponte para os personagens explorarem sentimentos que não conseguem expressar na vida real. Essa história apresenta uma premissa muito interessante, mas que se perde em uma narrativa enrolada e cansativa. Por mais que a expectativa de um final mirabolante seja a esperada pelo telespectador, Striking Vipers faz extremamente ao contrário, sendo imprevisível, apresentando um final  bobo e óbvio.

Selo de qualidade Byte:

SMITHEREENS

Com toda certeza, esse episódio é o pior de toda a história de Black Mirror.  Chris (Andrew Scott, de Sherlock) é um motorista de aplicativo que tenta sequestrar um executivo da empresa Smithereens – um tipo de Twitter. Seu objetivo é atrair a atenção do CEO Billy Bauer (Topher Grace), entretanto o personagem de Scott sequestra um mero estagiário. O episódio mais longo da temporada é chato, maçante e mais uma vez a série peca com uma história extremamente simples que cansa o telespectador com cenas longas e, muitas vezes, desnecessárias. Os motivos que levam o motorista a sequestrar o indivíduo são uma grande quebra de expectativa, de um jeito péssimo, pois a justificativa é simplesmente boba. Dessa forma, o episódio não consegue criar um laço de empatia entre o personagem e o telespectador, a ponto do desfecho de Chris causar indiferença àqueles que assistem à trama. 

Selo de qualidade Byte:

 

RACHEL, JACK E ASHLEY TOO

O último episódio acompanha Rachel (Angourie Rice), uma garota que recentemente perdeu a mãe e precisa lidar com a mudança de residência, com o pai ausente e com suas brigas constantes com a irmã mais velha Jack (Madison Davenport). A protagonista encontra suporte nas letras de música da estrela pop Ashley O (Miley Cyrus) que tratam de autoconfiança e resistência. Logo após Rachel adquirir um robô com inteligência artificial baseado na cantora, Ashley O entra em um misterioso coma, a partir disso, a narrativa se desenrola. De todos os episódios, esse, com toda certeza, foi o que mais supriu as expectativas entre os outros da temporada; a história é instigante e interessante, entretanto não entrega a ideia transmitida no trailer. A narrativa como um todo e, principalmente. o final parecem ter saído de um filme da Sessão da Tarde

Selo de qualidade Byte:

 

Todos os episódios dessa última temporada de Black Mirror pareceram ser construídos de maneira semelhante. A promessa de uma história super instigante, apresentada nos trailers, é rompida ao apresentar um desenrolar arrastado e entediante, concluindo a trama de forma simplória e nada chocante. Por fim, a tal “demonização” da tecnologia só pode ser vista, com clareza, no segundo episódio, mas nem esse fato consegue sustentar a história do pior episódio da franquia Black Mirror.

vitoriamollerke@gmail.com'

Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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