ByteBites – Chernobyl

No dia 26 de abril de 1986, os relógios da usina de Chernobyl marcavam exatamente 1h23min45s quando o maior desastre nuclear da história da humanidade começava.  O horário do ocorrido é também título do primeiro episódio da minissérie da HBO, Chernobyl, a qual recebeu a maior nota no IMDB de todos os tempos com 9.7, desbancando séries renomadas como Breaking Bad e Game of Thrones.

Obviamente, a narrativa é baseada em fatos reais e acompanha o cientista Valery Legasov (Jared Harris), a física nuclear Ulana Khomyuk (Emily Watson) e o vice-presidente do Conselho de Ministros, Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård), os quais tentaram descobrir como o acidente aconteceu e uma maneira de controlar a situação. 

Desde o primeiro episódio, o telespectador é lançado ao universo dos  personagens que vivenciaram e trabalharam na contenção do desastre que dá nome à série, a qual opta, então, por apresentar os mais diversos tipos de indivíduos, como cientistas que combateram esse ocorrido, membros do governo soviético e civis. 

A narrativa consegue criar um laço de empatia entre os personagens e o telespectador, pois muitas das ações ali presentes são extremamente humanas. Lyudmilla Ignatenko (Jessie Buckley) é o melhor exemplo disso, já que suas atitudes, do ponto vista racional, são significativamente equivocadas e, até mesmo, egoístas. Entretanto, é impossível julgá-la pelo simples fato dela ser movida pelo amor ao marido e, também, por não entender as dimensões, ao longo prazo, de suas ações.

O ápice da série está na tensão criada a todo tempo. É extremamente angustiante acompanhar o desenrolar da história que lança o telespectador, no primeiro episódio, no meio dos acontecimentos, ou seja, a narrativa começa com o desastre já iniciado. O restante dos episódios vai destrinchando o ocorrido até chegar ao ápice do último, o qual explica o que, de fato causou o desastre. A cada término de episódio a ansiedade para o próximo aumenta, tendo em vista que existe uma necessidade de saber os desdobramentos da história.

Uma das poucas críticas está no fato de toda a série se passar na antiga União Soviética e os atores falarem inglês. No início, isso incomoda, pois tira uma parcela da imersão, entretanto, ao decorrer da narrativa, todo o restante termina por envolver de forma tão expressiva o telespectador que a idioma se torna irrelevante. 

Com toda a certeza, Chernobyl é uma das melhores séries de 2019. Todavia, com sua única temporada e seus míseros cinco episódios, não podem ser comparados com a obra-prima que foram as cinco temporadas de Breaking Bad.

Selo Byte de qualidade:

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Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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