Investigação B – Charles Manson

O nono filme do diretor Quentin Tarantino, Era Uma Vez em… Hollywood, é ambientado em Los Angeles no ano de 1969. Uma figura que marcou a década, e está presente no longa, é o “messias” assassino Charles Manson. Juntamente com seus seguidores, o psicopata matou a atriz em ascensão Sharon Tate, grávida de oito meses do diretor Roman Polanski. Os massacres liderados por Manson, que matou um total de sete pessoas, completam 50 anos.

Charles Milles Maddox, nasceu em novembro de 1934 na cidade Cincinnati no estado de Ohio. A mãe, Kathleen Maddox, tinha apenas de 16 anos quando ele nasceu, devido à gravidez precoce a jovem e o filho foram expulsos de casa.  Por causa disso, ambos passaram boa parte da infância de Charles trocando de cidade. A relação entre eles era tumultuada e, segundo sua autobiografia, a mãe o teria oferecido a uma garçonete em troca de uma caneca de cerveja. Por fim, Charles optou por adotar o sobrenome Manson de um padrasto.

Em 1939, Kathleen, o irmão e a cunhada planejaram roubar um conhecido, que era herdeiro de uma grande fortuna. Entretanto, o plano fracassou e os três foram presos, e em detrimento disso,  Charles foi morar com os tios no estado da Virgínia Ocidental. Além disso, segundo a obra Manson: A biografia definitiva, do autor Jeff Guinn, desde criança o jovem apresentava comportamentos estranhos; em um episódio ele convenceu um grupo de colegas, em sua maioria meninas, a atacar suas inimizades. Quando questionado, Manson afirmava que não possuía envolvimento com os ataques e que seus colegas agiram por conta própria.

Charlie, como também era conhecido, foi enviado a um internato católico, do qual fugiu. Após a fuga, optou por não retornar para casa e, graças a isso, vivia do que conseguia roubar de lojas locais. Passou a juventude entrando e saindo de detenções ou reformatórios juvenis, até que, em 1951, foi finalmente preso. Em sua condicional, Manson conheceu a sua primeira esposa e mãe do seu primeiro filho, Charles Manson Jr, entretanto, em 1957, a mulher resolveu pedir divórcio. Além disso, o filho do casal mudou de nome para distanciar-se da figura do pai, mas suicidou-se em 1993.

Em sua primeira prisão, Manson tentou fugir, mas a tentativa falhou. No ano seguinte, recebeu permissão para condicional, entretanto continuou praticando delitos.  Casou uma segunda vez, com uma prostituta chamada Leona que engravidou do segundo filho dele. Em 1960, foi preso novamente, pois, juntamente com a esposa, estava transportando uma jovem para o Novo México com o intuito de criar uma rede de prostituição. Nessas idas e vindas da prisão, Charles Manson teve acesso ao livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas do famoso autor Dale Carnegie, leitura que o assassino usou para manipular seus fiéis.

Em 1967, com 32 anos, Charles Manson foi liberado da prisão tendo passado metade da sua vida dentro de instituições carcerárias; relatos indicam que ele teria pedido para permanecer preso, pois lá se sentia em casa. Em liberdade, ele foi para São Francisco recrutando membros, em sua maioria mulheres, para a sua comunidade.

Com a promessa de uma vida livre e alternativa, Manson conseguiu adeptos a suas ideias e, dentre eles, estava Mary Brunner, que encantada com o jeito “magnético” de Charles acabou tendo um filho com ele. Misturando elementos do budismo, hinduísmo, taoismo, misticismo e o fato de afirmar ser a reencarnação de Jesus, amigas de Brunner e outros indivíduos começaram a seguir Charlie, surgindo assim a Família Manson . O grupo perambulou por Los Angeles até se fixar em um antigo set de filmagem, o Rancho Saph.

Em novembro de 1968, os Beatles lançaram o disco The Beatles, mais conhecido como O Álbum Branco, essa coletânea tornou-se uma grande obsessão de Manson que acreditava que existiam pistas codificadas nas letras criadas pelo grupo, em especial na música Helter Skelter. Charles pregava que estava para acontecer uma guerra racial e que os negros sairiam vitoriosos, dessa forma caberia à Família governar o restante do mundo. Segundo o psicopata, Helter Skelter era a prova que suas teorias apocalípticas estavam corretas.

Com o intuito de transmitir suas palavras de maneira sútil, Charles decidiu que a Família precisava gravar uma música. Para isso, ele se aproximou do vocalista da banda The Beach Boys, Dennis Wilson. Ambos se tornaram amigos de imediato, a ponto de membros da Família Manson frequentarem a casa de Wilson. Manson chegou a escrever músicas para banda e uma delas realmente foi gravada, entretanto não foi creditado como autor da letra o que levou o serial killer a ameaçar a vida dos filhos de Dennis.

Foi Wilson que apresentou Manson e a Família ao produtor musical Terry Melcher, o qual mesmo fascinado com a Família Manson, decidiu não realizar os contratos de gravações. Em 23 de março de 1969, Charles Manson foi até a casa de Melcher, por motivos desconhecidos, todavia descobriu que Terry havia se mudado e que o casal Roman Polanski e Sharon Tate eram os novos moradores da casa.

Com o intuito de iniciar sua guerra racial (denominada por ele de Helter Skelter), Manson escolheu realizar um crime para ocorrer um estopim imediato, o plano seria cometer uma transgressão brutal e imputar a culpa aos negros, começando assim o conflito.

O músico Gary Hinman foi a primeira vítima de Manson e seus seguidores. Além das duas facadas no peito, foram encontradas marcas no corpo no qual estava escrito porco político. Os membros da seita, responsáveis pelo crime, ainda fizeram o desenho de uma pantera na parede próxima do corpo. O intuito era imputar a culpa do assassinato ao Partido dos Pantera Negras, dando início, assim, à Helter Skelter.

No dia 8 de agosto de 1969, Charles “Tex” Watson, Susan Atkins, Linda Kasabian e Patrícia Krenwinkel foram enviados, por Manson, até a antiga casa do produtor Terry Melcher. Lá, encontraram a nova moradora; a atriz Sharon Tate grávida de oito meses, além dela estava na casa Jay Sebring,cabeleireiro, amigo e ex-namorado de Tate; a socialite milionária Abigail Folger com o namorado, o polonês Wojciech Frykowski; e Steven Parent, amigo do caseiro.  As ordens de Charles eram que o crime deveria ser feito de maneira mais brutal possível, dessa forma seus seguidores deram 102 facadas nas pessoas que estavam na casa – algumas deferidas quando as vítimas já estavam mortas.

De cima para baixo, da esquerda para direita: Sharon Tate, Abigail Folger, Wojciech Frykowski, Jay Sebring E Steven Parent.

Não satisfeito com a grande repercussão do crime, Charles planejou outro assassinato. No dia seguinte ao crime, juntamente com os quatros responsáveis pelas mortes do dia anterior e mais dois outros membros da Família (Leslie van Houten e Steve Grogan), andaram por Los Angeles em busca de vítimas até terminarem na residência da família LaBianca. Lá, encontraram o casal Leno e Rosemary, que foram amarrados e mortos sob as ordens de Charles Manson. Respectivamente, ela, a qual era dona de uma botique de roupas, foi esfaqueada 16 vezes, enquanto o marido, que era executivo de um supermercado, foi morto por uma baioneta na garganta.

Casa LaBianca.

Com o casal morto, a Família ainda esfaqueou os corpos repetitivas vezes; Rosemary foi esfaqueada mais de 25 vezes, enquanto o marido, Leno,  mais de 14 vezes. Além disso, frases como Helter Skelter, Morte aos Porcos e Levantam-se foram escritas na parede com sangue das vítimas.

Seguindo pistas e ligando os casos passados, a polícia conseguiu informações ao conversar com uma gangue de motoqueiros que conhecia a Família Manson. Eles sugeriram o possível envolvimento de Charles e seus seguidores, e, graças a isso, no dia 1º de dezembro foram emitidos mandatos para Watson, Krenwinkel e Kasabian.

O julgamento começou em junho de 1970 com Kasabian, Watson, Atkins, Krenwinkel e Manson sendo acusados de assassinato e conspiração. Entretanto, os promotores ofereceram a Kasabian, que não tinha participado efetivamente dos crimes, imunidade em troca de detalhes dos acontecimentos das noites de 8 e 9 de agosto de 1969. Abrindo mão de advogados, Charles Manson apareceu no tribunal  com “X” desenhado na testa. Afirmando ser uma forma de protesto, o símbolo se transformaria, anos depois, na suástica nazista.

Manson com o “X” desenhado na testa.

Em 29 de março de 1971, Charles Manson, Patrícia Krenwinkel, Leslie Van Houten, Steve Grogan, Charles “Tex” Watson e Susan Atkins foram condenados à morte, entretanto a pena transformou-se em perpétua, tendo em vista a abolição da pena de morte na Califórnia.

Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten, durante o julgamento de 1970. O trio desenhou , na testa, o memso “X” usado por Charles Manson.

 Manson morreu em 2017 e até o momento os demais envolvidos continuam presos.

Charles Manson morreu em 19 de novembro de 2017 aos 83 anos.
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Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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