Investigação B – BTK

As palavras Bind, Torture and Kill (amarrar, torturar e matar, em português), ou simplesmente BTK, estampavam as manchetes dos jornais americanos durante o século passado. Assim, o assassino BTK utilizando uma máscara feminina, foi acusado de dez assassinatos em primeiro grau.

Máscara utilizada por BTK.

Dennis Rader nasceu no dia 9 de março de 1945 em Pittsburgh, no Kansas, sendo  o primogênito de William e Dorothea Rader. Diferente de serial killers como Ted Bundy e Jeffrey Dahmer, os quais tiveram infâncias extremamente perturbadas, os familiares de Rader lembram que, quando era criança, Denis fazia algumas “brincadeiras “: como roubar roupas íntimas de vizinhas ou torturar pequenos animais.  Entretanto, por mais abominável que sejam esses atos, atualmente, na época da infância de Dennis Rader, essas ações não eram tão incomuns.

Em 1970, Dennis optou por entrar nas Forças Aéreas Americanas, após frequentar, por um curto espaço de tempo, a Universidade Estadual de Wichita. Durante esse período, o jovem passou pela Coreia do Sul, Turquia, Grécia e Japão, e, por fim, ao retornar a sua terra natal, Rader se formou em administração de justiça em 1979.

Casado e com dois filhos, o jovem assassino participava de um grupo de escotismo e frequentava a Igreja Luterana de Cristo, na qual foi nomeado presidente do Conselho de Congregação. Em 1974, Dennis Rader começou sua saga como serial killer, matando quatro, dos cinco membros da família Otero. Ao invadir a casa, o homem  amarrou e estrangulou os pais e dois filhos mais novos do casal , e, quando o mais velho chegou da escola,  deparou-se com toda a família morta.

A polícia de Wichita prendeu três suspeitos pelas mortes da família Otero, o que deixou o verdadeiro assassino indignado, pois ele necessitava de publicidade. Por causa disso, Dennis escreveu uma carta e colocou-a escondida dentro de um livro, que deixou em uma biblioteca da cidade. Por fim, de maneira anônima, informou a imprensa que, ao encontrar a “dica”, contatou a polícia, a qual demorou  30 anos para capturá-lo.

Dennis Rader continuou aprimorando suas técnicas sórdidas. Ao invadir a casa de Kathryn Bright, o assassino deparou-se com o irmão da vítima; Kevin. A jovem foi brutalmente assassinada, mas o irmão sobreviveu e serviu como testemunha para a polícia. Anna Williams foi outra única sobrevivente dos assassinatos de Rader, por não estar em casa no momento em que o serial killer  invadiu o local. Cansado de esperar pela senhora de 63 anos, Dennis fugiu roubando somente alguns pertences  de Anna.

BTK costumava se fotografar vestido de mulher.

Em 1978, Rader voltou a se comunicar com a imprensa confessando a autoria de sete assassinatos. Além disso, descreveu a maneira que gostava de matar suas vítimas “amarrar, torturar e matar ( do inglês bind, torture and kill, ou seja, BTK). “Como serial killers não mudam de modus operandi, não mudarei o meu “ , escreveu o assassino em uma parte da cartas, as quais eram assinadas como “assassino BTK”.

Assim como seu  modus operandi, o assassino mantinha uma rotina para cometer seus crimes: primeiro, ele espionava as vítimas, depois invadia suas casas e amarrava-as enquanto estavam dormindo. Por fim, após matar, ele coletava algum souvenir e fugia, deixando os corpos para serem encontrados por outras pessoas. Entretanto, diferente de outros assassinos, como Ed Kemper ou Ted Bundy, BTK não praticava estupros ou necrofilia, tendo em vista que sua satisfação sexual ocorria durante os estrangulamentos.

Após fazer sua última vítima em 1991, Dennis Rader simplesmente parou de matar. Viveu uma vida extremamente normal com sua esposa e filhos, participando de encontros da igreja e liderando o grupo de escoteiros. Somente em 2004, após o FBI já ter fechado o caso BTK, que o assassino voltou a comunicar-se com a mídia.

Dennis Rader costumava desenhar suas vítimas.

Com os estudos de especialistas em serial killers, como o do agente John Douglas, o qual serviu de inspiração para a série Mindhunter, observou-se que assassinos em série tendem a não parar de matar, a não ser que morram ou sejam presos por outros crimes.  Foram 25 anos em silêncio até que Dennis Rader voltasse a mandar cartas para a polícia.

Todas as pistas enviadas pelo assassino eram assinadas com um símbolo próprio e sua autenticidade foi confirmada como sendo a do BTK, tendo em vista que essa marca era desconhecida da imprensa e da população em geral. Em dezembro de 2004, uma caixa foi encontrada com uma boneca Barbie amarrada exatamente como um dos membros da família Otero, além disso a embalagem continha a carteira de motorista de outra vítima.

Assinatura BTK.

Outro pista encontrada, através de um postal recebido pela polícia, foi uma caixa de cereal com a pergunta “Posso me comunicar por um disquete e não ser rastreado até um computador? Sejam honestos”. Com isso, as autoridades asseguraram a ele, em um plano para atrai-lo, que disquetes eram impossíveis de serem rastreados e, por causa disso, o assassino enviou um destes para uma TV de Wichita, contendo fotos de seus crimes. Graças a esse objeto, a polícia conseguiu descobrir que o item fora utilizado na Igreja Luterana de Cristo, e que um homem chamado Dennis era o criador de um arquivo do disquete.

Barbie amarrada exatamente como um dos membros da família Otero.

Ao coletarem o material genético da filha do serial killer, foi possível comparar e conectar com as provas encontradas nas cenas dos crimes. Sendo assim, em 25 de fevereiro de 2005, Dennis foi detido enquanto caminhava para sua casa. Sem resistir à prisão, o homem ainda afirmou para a polícia: “Vocês me pegaram”, além disso passou mais de 30 horas conversando com os policiais e detalhando como havia cometido cada um dos seus crimes.

“Eu nunca havia estrangulado alguém antes, então não sabia extremamente quanta pressão ou quanto tempo eram necessários”, depoimento de Rader em seu julgamento. Ainda, segundo o assassino, em diversos momentos suas vítimas acordavam, por causa disso, ele colocava sacolas plásticas em suas cabeças com o intuito de fazê-las sufocarem.

Dennis Rader está vivo e encontra-se na prisão de El Dorado,  no Kansas, acusado por 10 assassinatos.

 

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Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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