ByteBites – O Assassino Confesso

É inegável o sucesso constante das séries de televisão, graças a isso, gigantes do streaming, como a Netflix, estão investindo em documentários seriados. Uma das temáticas mais populares, e a minha favorita, envolve assuntos como grandes crimes e serial killers. Ted Bundy, o assassinato da freira Cathy Cesnik e a sociedade alternativa de Osho já foram temas de obras da Netflix, mas agora chegou a vez do assassino Henry Lee Lucas.

Considerado um dos mais famosos serial killers americanos, Lucas confessou ter matado mais de 300 pessoas durante as décadas de 70 e 80, sendo preso pela força policial texana chamada de Texas Rangers. Por causa da quantidade de vítimas, policiais de diversos estados americanos visitavam o assassino em busca de uma confissão e uma solução para seus casos de homicídio. Entretanto, a cada nova entrevista, Henry confessava cada vez mais crimes e, a partir disso, a série documental começa a se desenvolver.

Nos cinco episódios da série O Assassino Confesso,  é possível identificar uma narrativa que transmite ao telespectador a noção da culpabilidade total de Lucas para um sentimento de questionamento sobre quantos homicídios o serial killer realmente cometeu. A trama permite que ocorra um constante bombardeio de entrevistas com figuras que foram decisivas para prender Lee até indivíduos que tentaram provar a inocência dele em diversos dos crimes.

A série documental segue os preceitos de documentários tradicionais, no momento em que mistura imagens e vídeos de arquivos com entrevistas de figurões importantes para o caso. Além disso, o Assassino Confesso consegue construir a personalidade do acusado: um homem que era claramente incapaz intelectualmente de cometer tantos crimes e nunca ser pego. Todavia, a série deixa claro a capacidade de Henry Lee Lucas de manipular e de falar exatamente aquilo que os outros queriam ouvir.

Lucas surge aos holofotes alguns anos depois do julgamento de Ted Bundy. Os Estados Unidos passavam por um período receoso em relação aos serial killers; durante o século XX, surgiram os grandes assassino americanos como Ted Bundy, Ed Kemper, Jeffrey Dahmer e BTK. Para transmitir uma sensação de segurança à população, existia uma enorme necessidade de se resolver crimes brutais que, na maioria das vezes, ocorriam com vítimas mulheres.

Nesse cenário, há a iniciação do documentário  e, também, o surgimento de Henry Lee Lucas. Esse personagem estranho começa a confessar crimes cometidos em diversos estados americanos, sendo sua captura o símbolo perfeito para transmitir a imagem de punição e justiça que os Estados Unidos precisavam. O documentário é viciante e envolvente, fazendo com que você precise começar e terminar todos os episódios no mesmo dia.

A série reafirma, em diversos momentos, que Lee não é uma figura inocente. No entanto, sua proposta é colocar em questão quantos homicídios ele realmente cometeu e quantas confissões foram manipuladas para culpá-lo com o intuito de construir uma imagem positiva dos departamentos de policias americanos.

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Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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