ByteBites – Hollywood

Ryan Murphy é um dos nomes mais famosos do universo televisivo da atualidade. Conhecido por obras como American Horror Story, Pose, American Crime Story e Feud, o showrunner desembarca na Netflix com a minissérie Hollywood que, com seus sete episódios, consegue construir uma narrativa brilhante e desenvolver personagens extremamente complexos.

A história acompanha um grupo de aspirantes a atores e cineastas que tentam adentrar no universo hollywoodiano durante os anos de 1940. Somos apresentados a cada um deles em seus próprios universos, entretanto os destinos de todos se unem e juntos precisam enfrentar a dura realidade da era de ouro do cinema norte americano.

Todos os personagens são ricos, como o diretor fictício Raymond Ansley (Darren Criss), um jovem idealista que constantemente tenta mudar a maneira de se fazer cinema ou ainda a jovem atriz negra Camille Washington (Laura Harrier), que não deixa o racismo abalar sua determinação e confiança no próprio talento.

Em termos de cenografia, figurino e maquiagem, a série é impecável. Juntamente com o jogo de câmera, ângulos e até a maneira como os atores caminham, fortalecem a ambientação da década 1940. A minissérie de Ryan Murphy é uma imersão a era de ouro de Hollywood, fazendo com que nós, telespectadores, nos sintamos como um dos protagonistas, buscando constantemente o estrelato.

A primeira impressão que tive ao ler a sinopse e ver os trailers, foi de que a história focaria na rivalidade dos personagens tentando alcançar o estrelato. Entretanto, já no primeiro episódio a série encaminha o telespectador para outro caminho: o espírito de companheirismo dos personagens que faz com que, ao invés de tentarem derrubar uns aos outros, eles estendam a mão e tentem se ajudar.

O maior acerto da minissérie está, com toda certeza, na forma positiva em que os criadores tratam Hollywood. Com personagens e fatos veredictos, a trama mostra o lado obscuro da indústria, entretanto racismo, homofobia e machismo são obstáculos superados pelos personagens e todos terminam com seus respectivos finais felizes. Além disso, os temas abuso e assédio que, majoritariamente, estão atrelados a mulheres, principalmente na indústria cinematográfica americana, em Hollywood as vítimas são homens. A versão de Rock Hudson (Jake Picking) precisa se submeter aos desejos do repulsivo agente de talentos Henry Wilson (Jim Parsons) com o intuito de conseguir testes para bons papéis.

Hollywood é a realidade que todos gostariam que tivesse acontecido. Um retrato de como a união é mais fortalecedora do que a constante rivalidade. Ela consegue agradar a todos os públicos, mas para os estudantes de cinema e cinéfilos a série torna-se uma aula de história e do funcionamento da criação de um filme. Por fim, uma minissérie que com apenas sete episódios consegue transmitir uma grande mensagem, mas também nos faz refletir sobre a indústria cinematográfica.

Selo Byte de qualidade:

 

vitoriamollerke@gmail.com'

Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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