ByteBites – Dark

Um dos grandes desafios de fazer uma série, com toda certeza, está em terminá-la. Produções exploram suas narrativas ao máximo e, em muito dos casos, não sabem a hora de finalizar, criando assim histórias mirabolantes e que fogem da coerência dentro do próprio universo. Entretanto, Dark é um dos raros caos em que o extremo contrário acontece: a trama consegue finalizar no auge e exatamente onde a história necessitava terminar.

A terceira temporada começa exatamente onde a antecessora terminou: Jonas (Louis Hofmann) sendo surpreendido com o surgimento de uma Martha (Lisa Vicari) de outro mundo. Ambos partem em uma jornada para evitar que o apocalipse aconteça em seus mundos.

Assim como em suas temporadas anteriores, um dos grandes acertos da série está na parte de fotografia e arte. A construção do mundo B é extremamente semelhante ao do mundo A, mas detalhes como inversão de posição de objetos -exemplo da cama de Jonas que originalmente fica no lado esquerdo da cena, no universo de Martha fica no lado direito- e detalhe nos figurinos, maquiagens e cabelos fazem o telespectador recordar em que universo a história está se passando.

O apreço aos detalhes é tanto que cenas da terceira temporada são criadas baseadas em cenas do primeiro ano da série, mas dessa vez com personagens diferentes, como se eventos se repetissem ao mesmo tempo. Além disso, até mesmo simples objetos, como o medalhão de São Cristóvão, se tornam símbolos de extrema importância no universo da série e que nunca são colocados em cena sem algum motivo.

Por trás de grandes reviravoltas, dores de cabeça e confusão, existe algo em Dark extremamente comum a todos os seres humanos: o amor. Todos os personagens são movidos por esse sentimento, diretamente ou indiretamente, mesmo aqueles que são vistos como os “vilões”. Além disso, o casal de protagonistas, Jonas e Martha, são claramente uma representação moderna de Romeu e Julieta.

O interessante também, está no fato de não termos somente o amor romântico representado. Temos o amor materno – Katharina (Jördis Triebel) tentando incansavelmente trazer Mikkel (Daan Lennard Liebrenz) de volta para o seu tempo-, amor paternal – a busca de Noah (Mark Waschke) por Charlotte (Karoline Eichhorn)- e amor entre irmãos – Ulrich (Oliver Masucci) sendo assombrado pelo desaparecimento de Mads (Valentin Oppermann). Esses são somente alguns dos inúmeros exemplos, mas ainda podemos citar Claudia ( Julika Jenkins e Lisa Kreuzer) tentando evitar o fim trágico de Regina (Deborah Kaufmann).

Acompanhar Dark foi viver com receio constante de um fim. Uma história tão complexa não poderia render muitas temporadas, pois correria o risco de tornara-se sem sentido. Baran bo Odar e Jantje Friese, criadores da série, conseguiram encerrar todos os ciclos importantes. Obviamente existem algumas perguntas sem respostas, mas quando comparadas com a obra como um todo, elas se tornam insignificantes.

A terceira e última temporada teve como foco principal personagens que estavam em segundo plano em episódios anteriores. A cada novo episódios vamos conhecendo o passado, presente, futuro dos cidadãos de Waden e como, grande parte deles, tem vidas comentadas de maneiras impensáveis. Somos cativados pelos personagens a ponto de passarmos a aceitar ações que são, no mínimo, questionáveis.

Por fim, o telespectador começa a assistir a nova temporada pensando que não existe como ter mais plot twists, mas a cada episódio novas reviravoltas acontecem e a genialidade da série, dos seus criadores e roteiristas fica ainda mais evidente. Com toda certeza, Dark é a melhor série original Netflix e com potencial de se tornar um clássico, sendo também um dos melhores seriados dos últimos anos.

Selo Byte de qualidade:

vitoriamollerke@gmail.com'

Amante de Game of Thrones, Supernatural, Mr.Robot, de personagens complexos e de tudo que tenha uma boa história. Mais Geek do que Nerd. Livros e filmes são paixões, mas séries são o grande amor da vida. Entre os pecados capitais o favorito é a gula. Escolheu o jornalismo pela pouca quantidade de números.

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